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Persona 3, ou “não é assim que uma arma funciona…” julho 20, 2010

Posted by Zé in Reviews.
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O que você imaginaria se misturassem o seriado adolescente interminável Malhação com demônios? Provavelmente um monte de demônios devorando as almas do elenco de Malhação…por sorte, não foi isso que a Atlus pensou, e dessa mistura inusitada nasceu a série Shin Megami Tensei: Persona.

Persona 3 era um game que sempre tive vontade de jogar, mas que nunca consegui pois não tinha um PS2. Mas agora, a Atlus relançou Persona 3 para o PSP, com diversas mudanças significativas em relação ao jogo original. Estou jogando Persona 3 Portable por uma semana, e tenho que admitir: é um dos melhores RPGs que já joguei.

Para quem nunca ouviu falar em Persona 3, um pequeno resumo: O personagem principal (que dessa vez pode ser tanto menino quanto menina) se transfere para a escola Gekkoukan High, e lá, sua vida é como a de qualquer adolescente. Ir para a escola, sair com os amigos, conhecer novas pessoas e… é basicamente isso.

À noite, no entanto, existe uma hora escondida, conhecida por Dark Hour, na qual todas as pessoas da cidade viram caixões, demônios chamados Shadow aparecem, e sua escola se transforma na gigantesca torre  Tartarus. Só os que têm o poder de invocar Personas, seres que surgem do fundo da alma de certas pessoas, podem manter sua forma normal durante esse período e combater as Shadows. Seu personagem se une a um esquadrão chamado SEES (Specialized Extracurricular Execution Squad), e parte para explorar Tartarus e combater as Shadows.

Uma das características da série Megami Tensei é ter histórias complexas, profundas e sérias, que deixam os nervos do jogador à flor da pele. No entanto, Persona 3 está longe disso, afinal é um jogo sobre adolescentes que caçam demônios. A história e personagens ainda são ótimos, e se prepare para muitos momentos tensos, mas você vai rir muito também com diversos personagens e suas loucuras.

O diferencial de P3P para outros RPGs está justamente nessa mistura de dungeon crawler com um jogo de simulação. À primeira vista, ir à escola e fazer amizades pode parecer sem sentido e até uma chatice, mas tudo tem um propósito. Ao criar laços com outras pessoas, o seu personagem cria Social Links, que dão bônus de experiênciasà um determinado tipo de Persona criada. O personagem principal é o único capaz de usar múltiplas personas, portanto, as fraquezas e forças dele só dependem dos links e das personas que você criar.

Por exemplo, ao se tornar amigo do nerd Kenji, as personas do tipo Magician ganham um bônus de experiência. Então, ao criar o icônico Jack Frost, ele vai ganhar alguns níveis a mais, e ao vencer as lutas com ele, Jack vai receber mais experiência. Além disso, quando uma persona atinge um certo nível, ela te dá um card com uma skill. Orpheus, sua primeira persona, te dá a magia de fogo Agi ao atingir o nível 3, e assim por diante. Portanto, para conseguir personas fortes e skills boas, é preciso desenvolver cada vez mais os social links.

Nessa versão, os sprites dos personagens foram trocados pela arte estática

Essa parte pode soar chata para muitos (eu incluso), mas depois de um tempo, ela se torna divertida, principalmente porquê os personagens são bem construídos: O membro do clube de Kendô que treina mesmo com dor no joelho, o casal de idosos que perdeu o filho ainda jovem, a garotinha que sofre com o divórcio dos pais. Todos esses personagens tem reações e sentimentos reais, e é fácil se identificar com eles, e quanto mais um social link se desenvolve, mais interessante o personagem fica.

No entanto, o aspecto principal do jogo está, obviamente, na exploração de Tartarus e nas luas cheias. É preciso explorar a torre para conseguir novas personas, ganhar experiência, derrotar chefes e cumprir quests até o dia em que uma lua cheia chegar. A cada lua cheia, uma Shadow poderosa (vulgo chefão) aparece, e se você não estiver preparado, prepare-se para uma luta bem difícil. Isso dá um ritmo diferente à exploração em Persona 3: não se pode subir até o fim de Tartarus de uma única vez, porque barreiras que bloqueiam o seu avanço só desaparecem após derrotar um chefe na lua cheia. Dessa forma, é possível explorar a torre de acordo com o ritmo que você quiser. Se quiser chegar ao limite no primeiro dia, ótimo, se não, suba até onde der, jogue um pouco no modo simulaçao e tente de novo outro dia.

Quem não gostaria de ver sua escola transformada em uma torre do mal?

O sistema de batalha do jogo é intuitivo e divertido, o que torna o jogo muito melhor. Para começar, não existem encontros aleatórios, os inimigos são visíveis no mapa. Ao atacar ou ser atacado por uma shadow no mapa, a batalha se inicia, e quem atacou tem vantagem no começo da luta.

As lutas giram em torno de explorar as fraquezas do oponente. Quando um inimigo é fraco contra gelo, por exemplo, se um dos seus personagens usar a magia bufu, irá explorar essa fraqueza e derrubar o inimigo por um turno. Além disso, o seu personagem ganha um turno extra, no qual pode explorar a fraqueza de outro inimigo, e assim por diante. Quando todos os inimigos estiverem no chão, é possível realizar um All-Out Attack, no qual todos os membros do seu grupo enchem de porrada os inimigos, causando dano massivo.

Ah, vale mencionar que os personagens do seu grupo, para invocar as personas, utilizam um dispositivo chamado Evoker, parecido com uma arma. Então, toda vez que você usar uma habilidade da persona, seu personagem vai dar um tiro na cabeça, o que é bem divertido.

Da mesma forma, os inimigos podem explorar as fraquezas do seu grupo para ganhar turnos extras e acabar com você. Isso torna as lutas extremamente interessantes, principalmente as batalhas contra chefes, nas quais usar os ataques mais fortes está longe de ser a melhor estratégia: é preciso analisar os padrões de cada chefe para montar a melhor tática.

Um chefe, por exemplo, estava me matando facilmente por usar uma magia de trovão que acertava a todos do meu grupo. A solução foi usar uma magia para aumentar a evasiva de todos, assim eu não era atingido. Outra luta, contra dois cavaleiros negros, me fez utilizar uma magia que causa o status charm em um dos inimigos, assim ele se voltou contra o outro caveleiro, matando ele rapidinho e deixando o inimigo com charm indefeso.

No entanto, o sistema de batalhas não é perfeito. A maior crítica que faço a ele é que nas lutas contra os inimigos comuns de Tartarus, ter a vantagem na batalha destrói qualquer estratégia na maioria das vezes. Os membros do seu grupo ganham dois ou três turnos extras, então pode-se vencer uma luta facilmente só com ataques físicos. O contrário também é verdade: se um inimigo te atacar e levar a vantagem, é bem provável que pelo menos alguns membros do seu grupo vão estar mortos antes do seu turno começar.

A segunda crítica, mas não menos irritante, é que se o personagem principal morrer, game over. Isso não faz sentido nenhum, já que existem itens e magias para reviver os personagens, mas fazer o que… o pior é quando magias de luz ou trevas são lançadas no protagonista: essas magias, se acertarem, matam na hora. Por sorte, essa versão inclui muitas diferenças em relação à original para evitar mortes indesejadas do protagonista.

Depois de um certo ponto no jogo, os membros do seu grupo levam golpes mortais no lugar do protagonista, e existem itens chamados homunculus que se sacrificam quando magias de luz ou trevas são usadas. O problema é que homunculus são itens raros, e se uma magia que acerta todos os membros do seu grupo matar o protagonista, não há o que fazer além de tacar o PSP na parede. Críticas de lado, as lutas são muito divertidas, e empolgam durante o jogo inteiro.

Por fim, resta falar da maior mudança do jogo: a possibilidade de jogar com uma garota. Isso muda completamente a perspectiva do jogo e os social links criados. Eu joguei pouco com ela até agora (só matei o primeiro chefe), mas as mudanças são grandes: o social link Magician dessa vez é criado com Junpei, membro do seu grupo e personagem mais legal do jogo, e Yukari, um link difícil de conseguir com o garoto, está disponível desde o início do game. Além disso, essa versão permite controlar diretamente todos os membros do seu grupo, ao invés de deixar essa função para a inteligência artificial retardada dos seus aliados.

Agora a exploraçao do mundo é via point & click. Perfeito para um portátil!

Personagens interessantes, hisória original, batalhas intensas e personagens que atiram na cabeça sempre que querem soltar uma magia: precisa de mais para você dar uma chance a esse jogo fantástico?

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Quem nunca pirateou, que atire a primeira pedra julho 1, 2010

Posted by Zé in Reflexão.
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Nada melhor para marcar o retorno desse blog do que falar de um assunto que vai ser sempre polêmico: a pirataria de games. No Brasil, a combinação pirataria e Playstation 1 foi a grande responsável em popularizar os games, e até hoje a pirataria é muito forte aqui devido aos impostos absurdos que são cobrados nos games (para saber um pouco mais sobre os impostos, assista a entrevista que fizemos com a jornalista Flávia Gasi, ela vai explicar muito melhor do que eu).

Os preços dos games são tão inflados no Brasil que, com o que se pagaria em um jogo original, pode-se comprar mais de 10 jogos piratas. Hoje em dia, a pirataria ainda é mais ampla: quem tem acesso a Internet banda larga pode simplesmente baixar qualquer jogo de qualquer console (exceto PS3, que ainda não foi Hackeado), gravar em um DVD ou simplesmente colocar em um pen drive, colocar no videogame e jogar.

Eu sei que é óbvio, mas eu tinha que colocar ele aqui

Diante disso, as empresas de games tem alguma chance de combater a pirataria? Um caso que aconteceu na semana passada mostra que a resposta é um sonoro não. O site Romulation (http://romulation.net),  famoso por hospedar ROMs e ISOs de vários sistemas, como N64, PSX, GBA e Nintendo DS, recebeu uma carta da ESA (Entertainment Software Association), representante de grandes companhias de games, na qual pedia que todos os jogos de DS deixassem de ser hospedados no site; caso não fizessem isso, os donos do site seriam processados e poderiam ir para a cadeia.

Obviamente, as ROMs de DS foram removidas, mas não é por isso que gamers do mundo inteiro vão deixar de baixar ROMs: uma simples pesquisa no Google revela pelo menos mais três sites que disponibilizam os mesmos jogos, e nos fóruns do Romulation um usuário criou um tópico no qual está subindo todos os games de DS em sites como Megaupload. Ou seja, a ação das grandes companhias de games no sentido de censurar a pirataria na Internet não adianta coisa alguma. Além de sites como Romulation existirem aos montes, é possível encontrar os jogos via Torrent, e por aí vai…

Não vou ser hipócrita para dizer que a pirataria é errada, que todos que baixam jogos da Internet ou conseguem seus games de outras formas devem ser punidos e blábláblá. Se não fosse pela pirataria e emulação de jogos, eu provavelmente não teria jogado muitos games interessantes.

Eu nunca teria jogado Chrono Trigger não fossem os emuladores

Além disso, voltamos à questão dos preços: comprar games originais é muito bom; você valoriza o jogo, pois investiu dinheiro nele, ao contrário de uma ROM, que vai ficar armazenada em uma pasta com mais um milhão de ROMs. No entanto, é muito difícil acompanhar uma indústria como a dos games, na qual novos games são lançados a todo momento para diversas plataformas. O clássico da semana passada hoje já foi esquecido, e gastar mais de 200 reais em um game por semana, ou até por mês, é algo impensável para muitas pessoas (eu incluso).

Então, como as empresas de games podem lidar com essa questão sem censurar os gamers que baixam ROMs? Em primeiro lugar, pensando no Brasil, diminuir os impostos dos games, o que abaixaria os preços consideravelmente e incentivaria muitos gamers a comprarem jogos originais.

As empresas também deveriam mudar seu posicionamento. Assim como a indústria da música e dos filmes sofreram (e ainda sofrem) com a pirataria, a indústria dos games tem que perceber que acabar com a pirataria é impossível: se há a possibilidade de conseguir jogos de graça, muitas pessoas vão baixá-los, não importa se o novo jogo de PS3 custe 250 ou 10 reais; mas se o custo de um game original for menor e se tornar acessível para as pessoas, a pirataria diminui e o número de games originais comprados aumenta.

Quando tiver uma dessas, penso em compar só games originais

Além disso, pensar que a pirataria vai acabar com os games é bobagem; a pirataria é um mero arranhão em uma indústria gigantesca: em 2008, a indústria de games faturou 22 bilhões de dólares apenas nos Estados Unidos.

E você leitor, qual a sua opinião sobre a pirataria de games?

Enfim, de volta! julho 1, 2010

Posted by Zé in Sem categoria.
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Olá a todos!

Depois de muito tempo, finalmente esse blog vai voltar ao normal. Carlos e eu tivemos muitos problemas e contratempos nos últimos meses: ele enrolado com TCC e trabalho, e eu com meu estágio e trabalhos de fim de semestre. Mas agora já acabou (pelo menos para mim), as férias começaram e eu vou postar regularmente aqui.

O Carlos provavelmente vai contribuir mais raramente, devido ao enrolamento acima mencionado, mas quem quiser acompanhar seu trabalho, ele ainda escreve para a Nintedo World Online.

Então é isso, estou de volta, e vamos falar de games!