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Joguei e não gostei – Fragile Dreams: Farewell Ruins of the Moon novembro 21, 2011

Posted by Zé in Jogos Wii.
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No primeiro post que escrevi para este blog, falei de um jogo de Wii chamado Fragile Dreams: blablabla (leia o título do post, preguiçoso). À época, o jogo chamou minha atenção por contar com uma história e ambientação interessantes: o personagem principal, Seto, era um dos últimos humanos vivos, e ao encontrar uma garota, que acaba fugindo dele, sai em busca dela, enfrentando o mundo hostil ao seu redor.

Bom, quando o jogo finalmente saiu, não tive saco para mais do que quatro horas. Ao longo deste tempo, a história, personagens e a caracterização do mundo não decepcionaram; o grande problema de Fragile é que suas mecâncias são péssimas. Fragile, com sua história, poderia ter sido um ótimo filme ou anime, mas não um jogo.

A história, a todo momento, tenta mostrar o que há de errado com o mundo e toda a melancolia que cerca Seto; os objetos que você encontra que contém as memórias finais das pessoas, por exemplo, são um toque genial para se estabelecer o clima do jogo.

O problema é que sempre que o controle da narrativa passa para as mãos do jogador, o mundo melancólico e assustador perde todo o peso. Isso se dá pelo fato de que, apesar de Seto ser apenas um garoto de 15 anos, que não sabe lutar, ele consegue acabar facilmente com espíritos do além. O combate é simples ao extremo: tudo que é preciso fazer é apertar A repetidamente até que tudo ao seu redor morra; há um sistema de degradação de armas, que ao quebrarem se tornam inúteis, mas ao invés disso aumentar a sensação de desespero, é uma pequena irritação, pois você pode carregar na sua maleta uma arma reserva para essas situações.

Some a isso o fato de que inimigos deixam cair joias frequentemente quando mortos, que podem ser convertidas em dinheiro, utilizado para comprar armas e itens de cura, e pronto, a jogabilidade de Fragile tira todo o senso de drama ou solidão da trama; Seto não é mais um garoto desesperado em um mundo assustador, e sim um verdadeiro tanque de guerra, que acaba com qualquer criatura que cruza o seu caminho. Comparando Fragile com um jogo de Survival Horror (sei que Fragile não se encaixa nesse gênero, mas podia ter aprendido algo com ele): em um jogo como Resident Evil, a munição é escarça e seu personagem, fraco, o que dá um peso grande ao combate, fazendo com que o jogador muitas vezes prefira fugir para não desperdiçar itens ou morrer do que ficar e lutar. É esse tipo de drama que Fragile deveria ter, mas o jogo acabou fazendo o oposto.

Isso, para mim, tirou toda a graça do jogo. Após parar de jogar, fiquei imaginando que a minha experiência com Fragile teria sido muito mais interessante se o jogo não tivesse qualquer tipo de combate. Imagine se, quando o pitbul espírito começasse a rosnar, ao invés de eu apertar o botão de ataque tediosamente até ele morrer, tivesse que correr desesperadamente pela minha vida. Esse tipo de mecânica seria muito mais coerente com a proposta estabelecida pelo jogo.

Fragile mostra que há muitos jogos que podem ser jogados ignorando a sua história, desde que as mecânicas sejam coerentes e atraiam o jogador; mas jogos que só tem história e deixam a mecânica de lado se tornam esquisofrênicos.

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Comentários»

1. Guilherme Zocchio - novembro 21, 2011

Discordo em parte, Zé.

Realmente, em determinado momento do jogo, a interface fica tão enfadonha que se torna quase um martírio continuar: as batalhas deixam de ser difíceis para se tornarem chatas simplesmente, os drops de inimigos deixam de ser curiosos e passam a apenas ficar lotando seu inventário, e por aí vai… Mas acho que a força do Fragile está em justamente te segurar preso à narrativa, ao drama do próprio Seto e do mundo também, apesar de todos esses problemas -com animações tão lindas que -diga-se de passagem- valem matar uns duzentos daqueles corvos insuportavalmente chatos.

É uma narrativa tão densa, densa no sentido de ser cuidadosamente bem trabalhada, que supera de longe o lúdico, na minha humilde opinião. É o tipo de game que não dá para jogar e sair a mesma pessoa depois. Não mesmo. Aliás, tem muito de contemporâneo no que é colocado.

Gostaria de discutir mais à fundo o quê de filosófico, subjetivo que leva o jogo, mas acho que vou deixar para outra hora. Até porque o post é seu. Logo mais escrevo uma resenha sobre ele também. Espere acabar o semestre, apenas. hahahahhaha…

Abraços.

2. Zé - novembro 23, 2011

Então Gui,

Não duvido que a história do Fragile seja bem trabalhada, filosófica, subjetiva etc. No pouco tempo que joguei percebi isso, e realmente o jogo tem momentos fantásticos em relação à narrativa. Agora, na sua opinião, se eu assistir a todas as animações no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=1ao26ED1Kzw), o que eu vou perder da experiência do jogo?

Meu problema com Fragile é que ele ignora completamente a ideia principal de um jogo: a interatividade jogador-jogo, e o fato de que o jogador também pode ser uma parte da experiência. Imagine se, no final do primeiro capítulo, quando o robozinho morre, ao invés de uma cutscene mostrando o Seto enterrando ele, o jogador tivesse que usar combinações de botões para cavar ele mesmo o túmulo. Acho que a experiência teria sido muito mais impactante do que ela já é.

Não é só o Fragile que faz isso: na verdade, muitos jogos ainda veem o jogador como um obstáculo à experiência ao invés de alguém que pode contribuir com a história: acho que qualquer Devil May Cry é exemplo disso; as cutscenes do jogo são sempre bombásticas, e tudo o que o jogador faz é sentar e esperar. O problema do Fragile é que, pra mim, a barreira que ele levantou entre a história e a minha participação foi muito grande, o que me tirou da experiência.

Só pra terminar: jogos que contam a história através do próprio jogo levam a momentos fantásticos, sem precisar de animações lindas. Os jogos que tiveram momentos mais impactantes em mim são em 2D; acontece que fazer parte da experiência é muito mais impactante do que simplesmente assistir. Hum, vou fazer um post sobre um jogo que acerta isso 😀

3. Joguei e não gostei – Fragile Dreams: Farewell Ruins of the Moon | Sobre a Depressão - dezembro 10, 2011

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