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Depressão Pós-Persona 3 agosto 5, 2010

Posted by Zé in Crônica Gamer.
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Se tem uma coisa que eu aprendi nesse ano, é que o número 3 é mágico, pois representa os extremos que existem na nossa cultura. O melhor filme desse ano, Toy Story 3, já foi lançado e arrancou lágrimas de muito marmanjo, assim como Eclipse, o terceiro filme da terrível saga Crepúsculo, está fazendo o maior sucesso entre adolescentes e… pessoas que por motivos desconhecidos gostam dessa série.

É claro que os games não ficaram de fora: o melhor game desse ano, Persona 3 portable, também já saiu e, piadinhas à parte, explodiu minha cabeça. História interessante, personagens bem desenvolvidos, um sistema de combate sólido e a possibilidade de invocar Lúcifer dando um tiro na sua cabeça (sério, em que outro jogo você pode dizer algo desse tipo?) fazem de P3P um ótimo RPG, e quem não teve a chance de jogar as versões de PS2, não deixe essa passar.

Infelizmente, tudo o que é bom acaba, e minha jornada de mais de 80 horas por Tartarus chegou ao fim. Acontece que P3P é um daqueles poucos jogos que conseguiram me marcar, uma jóia rara entre o bilhão de jogos que são lançados a todo momento. Após terminar o jogo,é difícil ter vontade de jogar qualquer outra coisa, todos os games que tenho parecem chatos se comparados a P3P. É como se Persona 3 fosse uma droga que me deixou doidão por 80 horas, e agora que acabou, tudo o que eu tenho para tentar recriar a mesma sensação é um copo de água com gás e um tic-tac de laranja.

E assim começa a minha jornada para encontrar um jogo que me entretenha, e não está sendo lá tão fácil. Meu primeiro impulso foi tentar jogar Persona 2, do PSX, e apesar da história ser interessante, o combate desse jogo é extremamente chato: mais importante do que derrotar os seus inimigos, é preciso tentar agradá-los de toda forma possível para ganhar cartas, que são usadas para criar outras Personas. Obrigado Persona 2, mas eu quero bater nos meus inimigos, e não ficar dançando ou cantando para eles.

Ainda na série Shin Megami Tensei, comecei a jogar Strange Journey, para o DS. Strange Journey segue o padrão clássico da série, ou seja, dungeon crawler o mais difícil possível, no qual é preciso recrutar e controlar demônios para sobreviver. O sistema de negociação é bem mais intuitivo do que em Persona 2: acertou a resposta e entrou em acordo com o demônio, ele entra para o seu time; não acertou, ele te ataca. Ainda não passei do segundo setor em Strage Journey, mas é realmente um jogo divertido, e um dos melhores RPGs para o DS.

Falando em RPGs para o DS, não deixei de lado o grande lançamento do portátil, que já vendeu mais que sushi no Japão e só tem recebido elogios: Dragon Quest IX. Joguei por volta de cinco horas desse jogo, e tudo o que eu posso dizer até agora é que todas as “inovações” que o game tem já foram feitas dezenas de vezes, e muito melhor, em outros RPGs. Não é um jogo ruim, longe disso, mas DQIX não traz nada de novo, e a história e o mundo do jogo, que são de fato interessantes, acabam sendo arruinados por um sistema de classes e skills ultrapassado e quests chatas.

Eu e um amigo também redescobrimos Pokémon, e estamos organizando um mini-campeonato-de-duas-pessoas-para-ver-quem-lava-o-chao-com-a-cara-do-outro-depois-de –ser-terrivelmente-humilhado, e por isso estou treinando um time invencível em Pokémon Soul Silver.

Por fim, muito sangue tem jorrado do meu Wii ultimamente. Já perdi a conta de quantos zumbis já matei jogando os rail shooters Resident Evil: Umbrela Chronicles, Resident Evil: Darkside Chronicles e o hilário House of The Dead: Overkill. Diga o que quiser sobre rail shooters, mas não existe um tipo de jogo mais divertido para se jogar com um amigo.

Pra terminar de verdade agora, descobri um RPG estratégico para o Wii bem divertido, e que também é um remake de um jogo de PS2. Phantom Brave: We meet again. Não sou muito fã de RPGs táticos, pois as lutas costumam demorar demais para mim, mas o sistema de batalha de Phantom Brave me empolgou bastante, já que nas lutas mais difíceis é preciso pensar muito em quais unidades colocar em campo, e quando fazer isso.

É isso que tenho jogado ultimamente. Pretendo falar bastante sobre a maioria desses jogos, principalmente Phantom Brave e Dragon Quest IX. É uma pena que nenhum desses games vá substituir Persona 3, porque como eu disse, o número 3 é mágico.

Persona 3, ou “não é assim que uma arma funciona…” julho 20, 2010

Posted by Zé in Reviews.
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O que você imaginaria se misturassem o seriado adolescente interminável Malhação com demônios? Provavelmente um monte de demônios devorando as almas do elenco de Malhação…por sorte, não foi isso que a Atlus pensou, e dessa mistura inusitada nasceu a série Shin Megami Tensei: Persona.

Persona 3 era um game que sempre tive vontade de jogar, mas que nunca consegui pois não tinha um PS2. Mas agora, a Atlus relançou Persona 3 para o PSP, com diversas mudanças significativas em relação ao jogo original. Estou jogando Persona 3 Portable por uma semana, e tenho que admitir: é um dos melhores RPGs que já joguei.

Para quem nunca ouviu falar em Persona 3, um pequeno resumo: O personagem principal (que dessa vez pode ser tanto menino quanto menina) se transfere para a escola Gekkoukan High, e lá, sua vida é como a de qualquer adolescente. Ir para a escola, sair com os amigos, conhecer novas pessoas e… é basicamente isso.

À noite, no entanto, existe uma hora escondida, conhecida por Dark Hour, na qual todas as pessoas da cidade viram caixões, demônios chamados Shadow aparecem, e sua escola se transforma na gigantesca torre  Tartarus. Só os que têm o poder de invocar Personas, seres que surgem do fundo da alma de certas pessoas, podem manter sua forma normal durante esse período e combater as Shadows. Seu personagem se une a um esquadrão chamado SEES (Specialized Extracurricular Execution Squad), e parte para explorar Tartarus e combater as Shadows.

Uma das características da série Megami Tensei é ter histórias complexas, profundas e sérias, que deixam os nervos do jogador à flor da pele. No entanto, Persona 3 está longe disso, afinal é um jogo sobre adolescentes que caçam demônios. A história e personagens ainda são ótimos, e se prepare para muitos momentos tensos, mas você vai rir muito também com diversos personagens e suas loucuras.

O diferencial de P3P para outros RPGs está justamente nessa mistura de dungeon crawler com um jogo de simulação. À primeira vista, ir à escola e fazer amizades pode parecer sem sentido e até uma chatice, mas tudo tem um propósito. Ao criar laços com outras pessoas, o seu personagem cria Social Links, que dão bônus de experiênciasà um determinado tipo de Persona criada. O personagem principal é o único capaz de usar múltiplas personas, portanto, as fraquezas e forças dele só dependem dos links e das personas que você criar.

Por exemplo, ao se tornar amigo do nerd Kenji, as personas do tipo Magician ganham um bônus de experiência. Então, ao criar o icônico Jack Frost, ele vai ganhar alguns níveis a mais, e ao vencer as lutas com ele, Jack vai receber mais experiência. Além disso, quando uma persona atinge um certo nível, ela te dá um card com uma skill. Orpheus, sua primeira persona, te dá a magia de fogo Agi ao atingir o nível 3, e assim por diante. Portanto, para conseguir personas fortes e skills boas, é preciso desenvolver cada vez mais os social links.

Nessa versão, os sprites dos personagens foram trocados pela arte estática

Essa parte pode soar chata para muitos (eu incluso), mas depois de um tempo, ela se torna divertida, principalmente porquê os personagens são bem construídos: O membro do clube de Kendô que treina mesmo com dor no joelho, o casal de idosos que perdeu o filho ainda jovem, a garotinha que sofre com o divórcio dos pais. Todos esses personagens tem reações e sentimentos reais, e é fácil se identificar com eles, e quanto mais um social link se desenvolve, mais interessante o personagem fica.

No entanto, o aspecto principal do jogo está, obviamente, na exploração de Tartarus e nas luas cheias. É preciso explorar a torre para conseguir novas personas, ganhar experiência, derrotar chefes e cumprir quests até o dia em que uma lua cheia chegar. A cada lua cheia, uma Shadow poderosa (vulgo chefão) aparece, e se você não estiver preparado, prepare-se para uma luta bem difícil. Isso dá um ritmo diferente à exploração em Persona 3: não se pode subir até o fim de Tartarus de uma única vez, porque barreiras que bloqueiam o seu avanço só desaparecem após derrotar um chefe na lua cheia. Dessa forma, é possível explorar a torre de acordo com o ritmo que você quiser. Se quiser chegar ao limite no primeiro dia, ótimo, se não, suba até onde der, jogue um pouco no modo simulaçao e tente de novo outro dia.

Quem não gostaria de ver sua escola transformada em uma torre do mal?

O sistema de batalha do jogo é intuitivo e divertido, o que torna o jogo muito melhor. Para começar, não existem encontros aleatórios, os inimigos são visíveis no mapa. Ao atacar ou ser atacado por uma shadow no mapa, a batalha se inicia, e quem atacou tem vantagem no começo da luta.

As lutas giram em torno de explorar as fraquezas do oponente. Quando um inimigo é fraco contra gelo, por exemplo, se um dos seus personagens usar a magia bufu, irá explorar essa fraqueza e derrubar o inimigo por um turno. Além disso, o seu personagem ganha um turno extra, no qual pode explorar a fraqueza de outro inimigo, e assim por diante. Quando todos os inimigos estiverem no chão, é possível realizar um All-Out Attack, no qual todos os membros do seu grupo enchem de porrada os inimigos, causando dano massivo.

Ah, vale mencionar que os personagens do seu grupo, para invocar as personas, utilizam um dispositivo chamado Evoker, parecido com uma arma. Então, toda vez que você usar uma habilidade da persona, seu personagem vai dar um tiro na cabeça, o que é bem divertido.

Da mesma forma, os inimigos podem explorar as fraquezas do seu grupo para ganhar turnos extras e acabar com você. Isso torna as lutas extremamente interessantes, principalmente as batalhas contra chefes, nas quais usar os ataques mais fortes está longe de ser a melhor estratégia: é preciso analisar os padrões de cada chefe para montar a melhor tática.

Um chefe, por exemplo, estava me matando facilmente por usar uma magia de trovão que acertava a todos do meu grupo. A solução foi usar uma magia para aumentar a evasiva de todos, assim eu não era atingido. Outra luta, contra dois cavaleiros negros, me fez utilizar uma magia que causa o status charm em um dos inimigos, assim ele se voltou contra o outro caveleiro, matando ele rapidinho e deixando o inimigo com charm indefeso.

No entanto, o sistema de batalhas não é perfeito. A maior crítica que faço a ele é que nas lutas contra os inimigos comuns de Tartarus, ter a vantagem na batalha destrói qualquer estratégia na maioria das vezes. Os membros do seu grupo ganham dois ou três turnos extras, então pode-se vencer uma luta facilmente só com ataques físicos. O contrário também é verdade: se um inimigo te atacar e levar a vantagem, é bem provável que pelo menos alguns membros do seu grupo vão estar mortos antes do seu turno começar.

A segunda crítica, mas não menos irritante, é que se o personagem principal morrer, game over. Isso não faz sentido nenhum, já que existem itens e magias para reviver os personagens, mas fazer o que… o pior é quando magias de luz ou trevas são lançadas no protagonista: essas magias, se acertarem, matam na hora. Por sorte, essa versão inclui muitas diferenças em relação à original para evitar mortes indesejadas do protagonista.

Depois de um certo ponto no jogo, os membros do seu grupo levam golpes mortais no lugar do protagonista, e existem itens chamados homunculus que se sacrificam quando magias de luz ou trevas são usadas. O problema é que homunculus são itens raros, e se uma magia que acerta todos os membros do seu grupo matar o protagonista, não há o que fazer além de tacar o PSP na parede. Críticas de lado, as lutas são muito divertidas, e empolgam durante o jogo inteiro.

Por fim, resta falar da maior mudança do jogo: a possibilidade de jogar com uma garota. Isso muda completamente a perspectiva do jogo e os social links criados. Eu joguei pouco com ela até agora (só matei o primeiro chefe), mas as mudanças são grandes: o social link Magician dessa vez é criado com Junpei, membro do seu grupo e personagem mais legal do jogo, e Yukari, um link difícil de conseguir com o garoto, está disponível desde o início do game. Além disso, essa versão permite controlar diretamente todos os membros do seu grupo, ao invés de deixar essa função para a inteligência artificial retardada dos seus aliados.

Agora a exploraçao do mundo é via point & click. Perfeito para um portátil!

Personagens interessantes, hisória original, batalhas intensas e personagens que atiram na cabeça sempre que querem soltar uma magia: precisa de mais para você dar uma chance a esse jogo fantástico?