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Persona 3, ou “não é assim que uma arma funciona…” julho 20, 2010

Posted by Zé in Reviews.
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O que você imaginaria se misturassem o seriado adolescente interminável Malhação com demônios? Provavelmente um monte de demônios devorando as almas do elenco de Malhação…por sorte, não foi isso que a Atlus pensou, e dessa mistura inusitada nasceu a série Shin Megami Tensei: Persona.

Persona 3 era um game que sempre tive vontade de jogar, mas que nunca consegui pois não tinha um PS2. Mas agora, a Atlus relançou Persona 3 para o PSP, com diversas mudanças significativas em relação ao jogo original. Estou jogando Persona 3 Portable por uma semana, e tenho que admitir: é um dos melhores RPGs que já joguei.

Para quem nunca ouviu falar em Persona 3, um pequeno resumo: O personagem principal (que dessa vez pode ser tanto menino quanto menina) se transfere para a escola Gekkoukan High, e lá, sua vida é como a de qualquer adolescente. Ir para a escola, sair com os amigos, conhecer novas pessoas e… é basicamente isso.

À noite, no entanto, existe uma hora escondida, conhecida por Dark Hour, na qual todas as pessoas da cidade viram caixões, demônios chamados Shadow aparecem, e sua escola se transforma na gigantesca torre  Tartarus. Só os que têm o poder de invocar Personas, seres que surgem do fundo da alma de certas pessoas, podem manter sua forma normal durante esse período e combater as Shadows. Seu personagem se une a um esquadrão chamado SEES (Specialized Extracurricular Execution Squad), e parte para explorar Tartarus e combater as Shadows.

Uma das características da série Megami Tensei é ter histórias complexas, profundas e sérias, que deixam os nervos do jogador à flor da pele. No entanto, Persona 3 está longe disso, afinal é um jogo sobre adolescentes que caçam demônios. A história e personagens ainda são ótimos, e se prepare para muitos momentos tensos, mas você vai rir muito também com diversos personagens e suas loucuras.

O diferencial de P3P para outros RPGs está justamente nessa mistura de dungeon crawler com um jogo de simulação. À primeira vista, ir à escola e fazer amizades pode parecer sem sentido e até uma chatice, mas tudo tem um propósito. Ao criar laços com outras pessoas, o seu personagem cria Social Links, que dão bônus de experiênciasà um determinado tipo de Persona criada. O personagem principal é o único capaz de usar múltiplas personas, portanto, as fraquezas e forças dele só dependem dos links e das personas que você criar.

Por exemplo, ao se tornar amigo do nerd Kenji, as personas do tipo Magician ganham um bônus de experiência. Então, ao criar o icônico Jack Frost, ele vai ganhar alguns níveis a mais, e ao vencer as lutas com ele, Jack vai receber mais experiência. Além disso, quando uma persona atinge um certo nível, ela te dá um card com uma skill. Orpheus, sua primeira persona, te dá a magia de fogo Agi ao atingir o nível 3, e assim por diante. Portanto, para conseguir personas fortes e skills boas, é preciso desenvolver cada vez mais os social links.

Nessa versão, os sprites dos personagens foram trocados pela arte estática

Essa parte pode soar chata para muitos (eu incluso), mas depois de um tempo, ela se torna divertida, principalmente porquê os personagens são bem construídos: O membro do clube de Kendô que treina mesmo com dor no joelho, o casal de idosos que perdeu o filho ainda jovem, a garotinha que sofre com o divórcio dos pais. Todos esses personagens tem reações e sentimentos reais, e é fácil se identificar com eles, e quanto mais um social link se desenvolve, mais interessante o personagem fica.

No entanto, o aspecto principal do jogo está, obviamente, na exploração de Tartarus e nas luas cheias. É preciso explorar a torre para conseguir novas personas, ganhar experiência, derrotar chefes e cumprir quests até o dia em que uma lua cheia chegar. A cada lua cheia, uma Shadow poderosa (vulgo chefão) aparece, e se você não estiver preparado, prepare-se para uma luta bem difícil. Isso dá um ritmo diferente à exploração em Persona 3: não se pode subir até o fim de Tartarus de uma única vez, porque barreiras que bloqueiam o seu avanço só desaparecem após derrotar um chefe na lua cheia. Dessa forma, é possível explorar a torre de acordo com o ritmo que você quiser. Se quiser chegar ao limite no primeiro dia, ótimo, se não, suba até onde der, jogue um pouco no modo simulaçao e tente de novo outro dia.

Quem não gostaria de ver sua escola transformada em uma torre do mal?

O sistema de batalha do jogo é intuitivo e divertido, o que torna o jogo muito melhor. Para começar, não existem encontros aleatórios, os inimigos são visíveis no mapa. Ao atacar ou ser atacado por uma shadow no mapa, a batalha se inicia, e quem atacou tem vantagem no começo da luta.

As lutas giram em torno de explorar as fraquezas do oponente. Quando um inimigo é fraco contra gelo, por exemplo, se um dos seus personagens usar a magia bufu, irá explorar essa fraqueza e derrubar o inimigo por um turno. Além disso, o seu personagem ganha um turno extra, no qual pode explorar a fraqueza de outro inimigo, e assim por diante. Quando todos os inimigos estiverem no chão, é possível realizar um All-Out Attack, no qual todos os membros do seu grupo enchem de porrada os inimigos, causando dano massivo.

Ah, vale mencionar que os personagens do seu grupo, para invocar as personas, utilizam um dispositivo chamado Evoker, parecido com uma arma. Então, toda vez que você usar uma habilidade da persona, seu personagem vai dar um tiro na cabeça, o que é bem divertido.

Da mesma forma, os inimigos podem explorar as fraquezas do seu grupo para ganhar turnos extras e acabar com você. Isso torna as lutas extremamente interessantes, principalmente as batalhas contra chefes, nas quais usar os ataques mais fortes está longe de ser a melhor estratégia: é preciso analisar os padrões de cada chefe para montar a melhor tática.

Um chefe, por exemplo, estava me matando facilmente por usar uma magia de trovão que acertava a todos do meu grupo. A solução foi usar uma magia para aumentar a evasiva de todos, assim eu não era atingido. Outra luta, contra dois cavaleiros negros, me fez utilizar uma magia que causa o status charm em um dos inimigos, assim ele se voltou contra o outro caveleiro, matando ele rapidinho e deixando o inimigo com charm indefeso.

No entanto, o sistema de batalhas não é perfeito. A maior crítica que faço a ele é que nas lutas contra os inimigos comuns de Tartarus, ter a vantagem na batalha destrói qualquer estratégia na maioria das vezes. Os membros do seu grupo ganham dois ou três turnos extras, então pode-se vencer uma luta facilmente só com ataques físicos. O contrário também é verdade: se um inimigo te atacar e levar a vantagem, é bem provável que pelo menos alguns membros do seu grupo vão estar mortos antes do seu turno começar.

A segunda crítica, mas não menos irritante, é que se o personagem principal morrer, game over. Isso não faz sentido nenhum, já que existem itens e magias para reviver os personagens, mas fazer o que… o pior é quando magias de luz ou trevas são lançadas no protagonista: essas magias, se acertarem, matam na hora. Por sorte, essa versão inclui muitas diferenças em relação à original para evitar mortes indesejadas do protagonista.

Depois de um certo ponto no jogo, os membros do seu grupo levam golpes mortais no lugar do protagonista, e existem itens chamados homunculus que se sacrificam quando magias de luz ou trevas são usadas. O problema é que homunculus são itens raros, e se uma magia que acerta todos os membros do seu grupo matar o protagonista, não há o que fazer além de tacar o PSP na parede. Críticas de lado, as lutas são muito divertidas, e empolgam durante o jogo inteiro.

Por fim, resta falar da maior mudança do jogo: a possibilidade de jogar com uma garota. Isso muda completamente a perspectiva do jogo e os social links criados. Eu joguei pouco com ela até agora (só matei o primeiro chefe), mas as mudanças são grandes: o social link Magician dessa vez é criado com Junpei, membro do seu grupo e personagem mais legal do jogo, e Yukari, um link difícil de conseguir com o garoto, está disponível desde o início do game. Além disso, essa versão permite controlar diretamente todos os membros do seu grupo, ao invés de deixar essa função para a inteligência artificial retardada dos seus aliados.

Agora a exploraçao do mundo é via point & click. Perfeito para um portátil!

Personagens interessantes, hisória original, batalhas intensas e personagens que atiram na cabeça sempre que querem soltar uma magia: precisa de mais para você dar uma chance a esse jogo fantástico?

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A Mecânica do Jogo junho 22, 2010

Posted by Carlos in Cultura Gamer, JoguEntrevista.
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O que é o videogame e sua relação com o jogador? Qual é seu papel cultural? A pirataria é causa ou consequência?

E como funciona isso tudo no Brasil? Por que o gamer brasileiro é como é?

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Leitores atentos, comentem, critiquem, metam o pau, suspirem, divulguem!

TCC  de Bruno Araujo e Carlos Oliveira

Edição: Bruno e Carlos

O mal do século XXI – parte 1 janeiro 24, 2010

Posted by Carlos in Cultura Gamer, Humor, Reflexão.
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Um mal assola a humanidade no raiar da segunda década deste século. Especialistas relatam que a doença é silenciosa a princípio, só revelando seus sintomas em estágio avançado, quase terminal. Seu nome técnico é vicius incontrolábilus e é composta por um número de males menores.

Neste post, JoguEpense conseguiu entrevistas exclusivas com viciados e recuperados da droga FF, parte da vicius. A sigla é inteligente: quer dizer tanto Fast Forward como Final Fantasy. A primeira expressão é a droga em si: vendida por sujeitos chamados “emuladores”, ela causa aceleração artificial em jogos, aumento de FPS e diminuição dos reflexos. E FF serve também para Final Fantasy porque este jogo é o que comumente serve de entrada para novos viciados, com seus encontros aleatórios e sistema de levelup que privilegia o grinding.

A seguir, os depoimentos.


“Quando eu usei ela pela primeira vez, não pareceu nada demais. Lembro até hoje, foi com uma versão beta do Zsnes. Estava jogando Final Fantasy V, logo antes de um chefe difícil demais. Ela facilitou minha vida gamer, deixou tudo mais rápido, eu ganhava níveis com rapidez e passava pelos diálogos chatos sem demora. Derrotei o chefe em 20 minutos. Parecia bom, parecia inocente. Mas, com o tempo, as coisas ficaram sombrias.” V.C. Ado

“Acredito que o filme ‘Click’, aquele com o ator chato [Adam Sandler], mostra bem a sensação. Começou nos emuladores, mas agora é na vida. Dá uma vontade louca de acelerar as partes chatas, como as cutscenes da minha namorada ou os loading times no banheiro. Nessas horas eu me vejo apertando a tecla ‘ [botão padrão para a função FF] num teclado virtual. Eu sei, cara, que no filme ele aprende e tal, eu sei que ele errou. Eu aprendi com isso também. Mas… mas, eu quero, eu preciso dela, é mais forte do que eu.” Paulo D.V.D.

“Nos primeiros anos eu não via problema em só usá-la em emuladores de Snes ou Gba. Mas agora não consigo jogar Gears of War no meu Xbox 360 sem apertar o atalho ‘. Estou importando um computador melhor dos states para rodar meu Gears em emulador, quem sabe consigo uns 150% de velocidade.” João “Joypad” Marques

“Você não imagina o que é começar a utilizá-la em RPGs com batalhas aleatórias difíceis e agora usar no Guitar Hero é tenso estou começando a falar rápido as pessoas não acompanham meu raciocínio como faço para elas me entenderem é culpa minha por acaso se penso muito rápido acho que não deve ser só um sinal da evolução humana isso sim é verdade sou o próximo passo do ser humano Homo Sapiens Sapiens Accelerus [não conseguimos transcrever o restante, nos desculpem].” Cláudia “Aeris Ganhaborough”

“Atualmente uso com moderação, somente com Rock Band. Tudo mudou quando conheci a Bia. Ela passou por umas fases complicadas também, não, ela não usou a FF nessas fases! De qualquer jeito, nos ajudamos. Por que uso só no Rock Band? Academia é muito caro. Conquistei a Bia tocando batera no expert 200%, ela adora meus músculos.” Luan Blu “Rayban”

No próximo post do dossiê vicius, tudo sobre a droga SS.

Segurando a tocha sem a ajuda do pai dezembro 17, 2009

Posted by Carlos in JogueEanalise.
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Ver cópias descaradas da família Diablo se tornou algo tão corriqueiro que nem espanta mais. Torchlight, também para o PC, não é exceção. Algumas críticas inclusive o situam como uma experiência pré-Diablo III, algo como um aquecimento, mas este não é o caso. Torchlight é um jogo consistente que, embora dependa do seu pai diabólico, consegue fazer nome sozinho.

Um mago poderoso que sumiu, uma caverna profunda com cristais e monstros, uma cidade em apuros. Essa é basicamente a história, ou seja: ela quase não existe. Os diálogos são curtos e não fogem muito do “Ei herói, o Cristal Brilhante foi roubado. Desça no andar 13 e o recupere, por favor. Sim, é para salvar o mundo”. A história é dispensável, e os criadores sabem disso. O jogador que quiser levelar loucamente vai levelar, e aquele que precisa de um pano de fundo mínimo para clicar que nem um maníaco, vai ter. Agora, quem precisa de um enredo complexo, melhor passar para o próximo.

Os gráficos são um tanto cartunescos. O mundo de Torchlight é coerente com isso: você não encontrará câmaras de tortura como em Diablo ou Planescape:Torment, porém os únicos pássaros que você verá não estarão cantando, e sim tentando te matar com suas garras. O 3D funciona bem, contudo, e os andares da dungeon única, gerados aleatoriamente, são repetitivos mas não ao ponto de serem irritantes. Os monstros são um ponto alto: novos aparecem com uma frequência agradável, então sem essa de ficar 40 andares vendo a mesma geléia, mas com cores diferentes. Já os monstros épicos (já falo deles), são exceção. Todos grandes e legais, mas dá a sensação de “basta!” logo, logo.

Ambientação é a palavra-chave da trilha sonora. Matt Uelmen foi o responsável pelas músicas. Ouvir um pouco das músicas já revela quem ele é: compositor da série Diablo que trabalhou na Blizzard até Wow: Burning Crusade.

Qualquer semelhança é mera influência

A jogabilidade é, provavelmente, o ponto forte do Tochinha. Aquele blablabla de mago e documentos perdidos existe só para justificar os cliques constantes. E se tem algo essencial a um jogo hack ‘n slash é que você não se canse de clicar que nem desesperado – pelo contrário, só se lembre da tendinite quando ela bater (exagero, viu? saúde primeiro).

Há três opções de personagens: o Alquimista, o Destruidor e a Vanquisher, que é melhor deixar em inglês porque “Conquistadora” ninguém merece. Depois de saber disso, olhar no manual do Diablo já explica o resto: cada classe possui uma tree skill bem simples mas mal explicada com três especializações.

O Alquimista pode estudar Arcane para magia, Lore para conjurar demoniozinhos e golems ou Battle para fingir ser um Destruidor; o Destruidor se desenvolve em Berserker porradão, Spectral mago ou um Titan meio-termo; nossa querida Vanquisher pode alocar seus pontos em Marksman (esquema tiro-ao-alvo), Rogue bandidona ou Traps, com armadilhas interessantes mas difíceis de usar. Além disso, todos possuem algumas skills em comum, como a Adventurer, que aumenta a Exp e Fama ganhas.

Todos as classes podem equipar quatro magias. Os vira-latas, duas.

O atributo Fama é uma das particularidades de Torchlight. Quando você mata um monstro épico, assinalado por cor de nome diferente, vida maior e lembranças mais traumáticas para o jogador, você ganha Fama, que serve de Exp para ganhar novos títulos. A cada nível novo, uma skill point nova. Há um sistema parecido com New Game+, sendo possível transformar chars antigos em itens para os mais novos. Outra ajuda gratuita é o Pet. Ele vem de fábrica, então você escolhe ele logo que cria o char, tendo as opções cachorro e… gato. Não bastasse o dilema (não escolha), eles são exatamente iguais quanto aos status. Pfff.

Seu Pet possui inventário próprio, com direito a equipar dois aneis e uma coleira colar. Talvez a função mais importante do bicho, fora o valor sentimental de colocar o nome do seu vira-lata nele (ah vai dizer que não pensou em fazer!), seja vender todos os itens na possessão do bichano enquanto você está na dungeon. Isso significa economizar muitos Town Portal e muita paciência. Outra grande sacada é não ter que pegar os golds no chão: é só pisar em cima que eles são recolhidos. Os indicadores agradecem.

Morrer traz três opções: quanto mais cômodo, mais caro. Tirando se seu personagem é do modo Hardcore, aí fedeu.

A ajuda trazida pelo Pet simboliza a grande proposta de Torchlight, com todas seus acertos e falhas. Torchlight é um jogo bem didático. Cada loading time (enormes, por sinal) traz uma imagem com um texto do tipo “Quando você ganha um nível, lembre-se de alocar os pontos de status”. Se a dungeon principal está difícil, é possível comprar mapas com inimigos mais fracos para treinar. A contradição é que ele não é necessariamente fácil. Meu Alquimista Zothar está surfando tranquilamente pelo jogo no Normal, mas isto porque mandei bem na escolha de Skills e dei sorte no equipamento. Os vendedores da cidade são muito mesquinhos e vender um Arco Único do Dragão Verde não te rende o suficiente para comprar 4 poções. Portanto, mesmo na reta final há uma incômoda sensação de falta de dinheiro.

Para quase todas as minhas reclamações, há uma salvação: a própria Runic, desenvolvedora do game, liberou uma ferramenta para fazer modificações no jogo (que iriam existir de qualquer jeito, mas foram facilitadas). Mais importante ainda, há uma comunidade empolgada para mexer no Tochinha, deixando ele melhor e mais funcional.

Por que Torchlight não é um Pré-Diablo III? Porque ele é, na verdade, um pré-RPG hack ‘n slash. Serve bem para quem tem muito tempo e pouca experiência. A interface ágil chamará a atenção dos veteranos mas, de resto, a falta de profundidade é the same old song. E mesmo a proposta do jogo não sendo a de ser um épico em 5 tomos, não custava colocar umas reviravoltas e personagens melhorzinhos né?

Links: ferramenta para facilitar instalação dos mods

Wiki do Torchlight

Games que relembram a infância – Parte 4 outubro 18, 2009

Posted by Carlos in Reflexão.
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Tem como não gostar?

Tem como não gostar?

Todo mundo que não viveu num bunker subterrâneo nos últimos sete anos conhece a franquia Kingdom Hearts. Logo de cara, a voz lesada do Pateta exclamando “Sóuraaa!!” vem à cabeça; lembramos do atrapalhado Donald comprando briga; fica forte a memória da sombria Organization XIII e de seus membros marcantes.

Disney e Square? Em 2002, poucos gamers sérios achavam que a combinação “contos de fada infantis e coloridos” e “RPGs épicos e grandiosos” pudesse dar certo, mas Kingdom Hearts surgiu tentando agradar gregos e troianos e… conseguiu. Como? A jogabilidade é sólida, os gráficos são bons até hoje e a trilha sonora é caprichada. Essa soma fez até o gamer mais hardcore e sem infância colocar o DVD na bandeja do console. Tanto os jogadores mais jovens como os mais antigos foram atraídos pelo universo Disney. Já os jogadores mais adolescentes, que tinham certa aversão pela infantilidade das criações do velho Walt, encantaram-se pela extensão do jogo, salpicado de side-quests.

A franquia Kingdom Hearts conseguiu (e consegue) provar duas coisas: primeiramente, é sim possível conciliar dois universos aparentemente distintos e de carona conquistar muito$ jogadore$; também, essa união de mundos renova ambos e os amplia: hoje é quase cool gostar de Disney e os RPGs transbordam magia se quiserem.

Onde está a chave disso tudo? Na Keyblade do Sora No fato do primeiro jogo ser bom e de os produtores terem o cuidado de manter o padrão de qualidade com o tempo – o que demonstra respeito com os fãs fervorosos.

Ah, como eu adoro patches! outubro 12, 2009

Posted by Zé in Cultura Gamer.
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Confesso que não sou um grande fã de jogos de terror, mas se tem uma série que eu nunca joguei, mas sempre tive vontade, é Fatal Frame. O conceito do jogo é muito interessante e a história parece ser fantástica; portanto, quando eu fiquei sabendo do lançamento de Fatal Frame IV para o Nintendo Wii, pulei de alegria e pensei em comprar o jogo um dia. No entanto, a Nintendo, sem nenhuma explicação razoável, mostrou o dedo do meio para todos os fãs ocidentais da série e restringiu o lançamento do jogo apenas para o Japão.

Mas a Nintendo não contava com a astúcia dos fãs-hackers! Três gamers resolveram criar um patch para o jogo, que ao ser colocado em um cartão SD, faz com que o jogo seja traduzido para o inglês. O projeto está quase pronto, resta aguardar para saber se ele vai funcionar direito, mas é muito provável que sim, pois não é de hoje que fãs com conhecimento em japonês e habilidades para hackear um game criam patchs, que traduzem o complicadíssimo idioma japonês e nos permitem jogar pérolas que só ficaram por lá.

A resposta da Nintendo para os fãs de Fatal Frame

A resposta da Nintendo para os fãs de Fatal Frame

Em homenagem a esses fãs, fiz essa lista com os cinco jogos japoneses que eu mais gostei, e que só consegui jogar por causa dos patchs:

Tales of Phantasia: Foi por causa desse jogo que conheci o que era um patch. A série Tales of é uma das minhas favoritas de RPGs, e isso se deve graças a esse jogo. ToP é o primeiro jogo da série, e revoluciona em todos os aspectos: gráficos e trilha sonora ótimos para a época, história fantástica, com um final de cair o queixo, personagens interessantes e bem desenvolvidos, e um sistema de batalha que aboliu os tradicionais menus dos RPGs e colocou o jogador no controle direto do personagem. Simplesmente perfeito!

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Star Ocean: Esse jogo é tão bonito que não parece um jogo de Super Nintendo, parece ser feito para o Playstation. A história não é lá essas coisas, mas os personagens roubam a cena: a história da maioria deles é muito profunda e faz com que você se afeiçoe a eles. Junte a isso um sistema de batalha viciante, similar ao da série Tales, uma dificuldade absurda (prepare-se para horas e horas de level grinding se quiser terminar esse jogo…), e você tem um título e tanto. Um título, vale dizer, muito, mas muito melhor do que a versão para Playstation…até os gráficos são melhores.

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-Wonder Boy 6: Monster Lair IV: Nem tente entender o porquê do nome bizarro desse jogo, a série Wonder Boy tem uma história bem estranha quanto aos nomes dos jogos. Essa série me divertiu muito na época do Master System; aqui no Brasil, os jogos foram adaptados pela Tec Toy, e os personagens originais foram trocados pelos personagens da Turma da Mônica, o que na minha opinião tornou os jogos mais divertidos ainda! Essa série é a mistura perfeita de RPGs com jogos de ação, e Monster Lair IV é um dos melhores da série. As dungeons do jogo não são lineares como nos outros títulos, agora é preciso usar a cabeça para resolver muitos puzzles; e o jogo deixou de ser medieval para se tornar uma história à la As Mil e uma Noites. Além disso, pela primeira vez o Wonder Boy é uma Wonder Girl!

Wonder Boy VI - Monster World IV

-Mother/Mother 3: Diferente de certas pessoas que escrevem nesse blog, eu sei reconhecer quando uma série é boa, e Mother é simplesmente fantástico (Carlos, não me bata :P). Com apenas um título publicado no ocidente (Earthbound), Mother é uma série que se diferencia totalmente dos outros RPGs por sua simplicidade e humor, e é por isso que ela tem que ser reconhecida e jogada. Em qual outro jogo você tem NPCs que só falam besteira, inimigos bizarros, como hippies, fazendeiros gordos, carros desgovernados e alienígenas? Que eu saiba, só essa, e isso já é motivo suficiente para jogar esses títulos.

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-Final Fantasy V: Okay, eu sei que esse título foi lançado oficialmente em inglês para o Playstation, mas a versão do Super Nintendo nunca viu o ocidente, mas graças a um patch muito bem feito, eu pude jogar esse game. Com certeza é um dos melhores Final Fantasy, graças ao Job System, que permite uma customização ampla dos personagens por meio de diversas classes e habilidades, além de chefes que exigem mais do seu intelecto do que do poder de ataque dos seus heróis. Simplesmente um clássico dos RPGs.

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Isso conclui a minha lista. Um grande arigatô a todas as pessoas que se dedicam a traduzir games (na maioria das vezes sem ganhar nada com isso) para que nós possamos jogar o que não conseguiríamos!

Salvar o mundo e destruir o meio ambiente, tudo a ver! setembro 20, 2009

Posted by Zé in Humor, Reflexão.
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Nesse fim de semana comecei a jogar Chrono Cross, a continuação do melhor RPG de todos os tempos, Chrono Trigger (sim, eu nunca tinha jogado, não tive um Playstation quando pequeno). O jogo é bem divertido e a história é muito boa, o único problema pra mim é o sistema de Level Up: os tradicionais pontos de experiência teriam sido melhores na minha opinião.  Enfim, não é sobre isso que eu quero falar nesse post, é sobre uma parte do jogo que realmente me fez ver como os “heróis” do jogo são hipócritas.

Em um ponto do jogo, a personagem Kid é envenenada por um veneno super-mega-blaster poderoso que vai matá-la em dois dias, e o único jeito de curá-la é pegar o húmus de uma Hidra. Acontece que as Hidras estão extintas nesse mundo, pois elas valem uma boa grana, então os humanos caçaram todas. O que você tem que fazer é voltar para a sua dimensão original (para quem nunca jogou CC: o mundo do jogo tem duas dimensões diferentes, e os acontecimentos de uma dimensão são diferentes da outra) e pegar o húmus, pois na sua dimensão a Hidra ainda existe.

Até aí tudo bem: derrote o bicho e salve sua amiga. O problema é que ao entrar no pântano onde a Hidra vive, você descobre que aquele ecossistema só tem vida porque a Hidra existe, tanto que o mesmo local na outra dimensão, onde a Hidra já está morta, é todo poluído. Sem se questionar sobre o impacto ambiental que acabar com a Hidra pode ter, os seus personagens seguem em frente, e ao longo do caminho eles enfrentam os anões que moram lá, e que simplesmente querem impedir que você destrua o local onde eles vivem.

Procurado! Destruidor do meio ambiente em potencial!

Procurado! Destruidor do meio ambiente em potencial!

Você derrota um monte de anões e finalmente chega à Hidra; ao vencer, você mata a coitada, ganha o húmus e descobre que aquela Hidra tinha filhotes, portanto o pântano não vai ser destruído, uhu tiramos o peso da nossa consciência! Seus personagens não dizem nada sobre a atrocidade que acabaram de cometer, mas o que eles pensaram deve ter sido algo do tipo: “Yay! Agora podemos salvar nossa amiga e o pântano não vai ser destruído, que sorte! É claro que os filhotes vão ficar sem sua mãe para cuidar deles, mas quem se importa?”

Já deu pra perceber o quão hipócrita os seus personagens são? Se ainda não deu, a pior parte vem agora. Você cura Kid e avança no jogo, provavelmente se esquecendo da pobre Hidra, até que você tem que ir conversar com o dragão da água para ser capaz de resistir ao calor de uma montanha de fogo. Na ilha onde o dragão mora, há um vilarejo de fadas. Quando você chega lá, quem você encontra? Os anões do pântano, que fugiram de lá achando que o local estava perdido com a morte da Hidra, e foram procurar outro lugar para viver. Acontece que eles mataram a maioria das fadas, pois aprenderam com você que é na porrada que se resolve tudo. Belo exemplo, heróis!

Os seus personagens, ao invés de tentar conversar com os anões, partem para a ignorância e exterminam dezenas de anões (é sério, essa ilha só tem os anões como inimigos, você provavelmente acabou com quase toda a tribo só aqui). Você derrota o chefe dos anões e finalmente diz para ele que o pântano não está perdido. Os anões que sobraram pedem desculpas e vão embora. Ok… agora vamos pensar: para salvar um aliado seu, os seus personagens arriscaram destruir um ecossistema que estava em perfeito  estado, assassinando a criatura que dava vida a ele (e que tinha filhotes, não se esqueça disso); com isso, os anões, que só queriam ficar quietos no seu canto, aprenderam o que é crueldade e mataram um monte de fadas. E qual a atitude dos seus personagens diante desse banho de sangue que eles causaram?

" Se não fosse por aquelas crianças isso não aconteceria" Diz Zangado, um dos anões sobreviventes “Se não fosse por essas crianças isso não aconteceria” Diz Zangado, um dos anões sobreviventes

Nenhuma! Eles não dão a mínima, pois são os heróis escolhidos para salvar o mundo, e todas as suas atitudes estão corretas. É claro que o objetivo inicial dessa bagunça toda é nobre, mas eles realmente tinham o direito de causar toda essa destruição para salvar a Kid? Eu acredito que não, e por já estou denunciando todos esses delinqüentes para o Greenpeace.

PS: Apesar de tudo isso, Chrono Cross é um ótimo jogo!

“Eu já vi isso em algum lugar” setembro 6, 2009

Posted by Carlos in Humor, Jogos PC.
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yaaay primeira quest!

yaaay primeira quest!

RPG nos games é meu gênero preferido, de longe. Não tem sensação melhor do que fazer parte da histórias épicas de um Final Fantasy, coletar estrelas e salvar a princesa em batalhas dinâmicas no Mario, e ao mesmo tempo ouvir uma trilha sonora mágica como a de Chrono Cross.

Ah, sim, fora dos consoles, dá para aproveitar a ação sombria em Diablo ou a complexidade de Neverwinter Nights. E ainda tem o dilema: perder-se no mundo de Fallout 3 ou World of Warcraft? Num você precisa parar para respirar, apreciando cada pixel trabalhado naquele mundo destruído e maravilhoso, com a certeza que vai se surpreender com cada canto do lugar. No outro você precisa parar pra respirar… mas não tem tempo, porque sua party está cobrando aquelas magias com as hotkeys ALT+CTRL+F4 e SHIFT+B+Botão esquerdo do Mouse enquanto você tenta jantar só com a mão esquerda.

Ah, os RPGs! Poderia falar apaixonadamente horas e horas sobre eles, mas, em uma só palavra, chega! (por hoje)

O Goku careca no centro e a miniBulma à direita salvam o mundo em DQ II

O Goku careca no centro e a miniBulma à direita salvam o mundo em DQ II

Acontece que, depois que você joga um certo número de RPGs, percebe que eles têm uma regra básica: as quests, o motor que faz andar o carango que são esses jogos. Elas podem tanto te conduzir suavemente por ladeiras íngremes de enredo bem escrito como superaquecer nos primeiros minutos planos de jogo, sendo repetitivas e maçantes.

Um jogo corajoso denuncia esse problema. Ele é tão genial e cult que não tem gráficos, mostrando metaforicamente como tanto joguinhos do Mega Drive como jogões do Xbox 360 podem sofrer desse mal. Ok, isso também mostra preguiça por parte do desenvolvedor, não dá para defender ele 100%. De qualquer modo, Progress Quest, mostra como que, na maioria das vezes em que subimos de nível, estamos jogando o mesmo jogo.

Tudo nele é certeiro: Você cria um personagem com base em 21 raças e 19 classes, rola os dados para criar os status (eu consegui 78 na soma! uhul!) e clica o botão “Sold”. A partir daí, a mágica do mundo criado de Progress Quest se inicia, as portas de um universo paralelo se abrem e você pode fazer a diferença! E como? Como você pode mudar a história? Não fazendo nada! Sim, é isso mesmo. Se você está com uma expressão confusa e curiosa no rosto, jogue!

Os gráficos são mais ou menos assim. Ou não.

Os gráficos são mais ou menos assim. Ou não.

Só pena que ele esteja em inglês, quem não fala a língua acaba perdendo a maior parte das piadas.

Jogue Progress Quest

(recomendo o FAQ do site tbm, até ele é hilário)